segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Entrevista - Banda Nervosa


Fúria Feminina- Fernanda Lira

Sabado, 18 de Agosto, foi uma dia/noite marcante para a cena rock/metal do Amapá, depois da vinda de bandas de peso como Ratos de Porão, Matanza, Korzus, Gestos Grosseiros e Dead Infection e a vez da banda revelação do Thrash Metal Nacional, Nervosa, no encerrando da Semana da Juventude no Amapá promovido pelo Governo do Estado e o Coletivo Frente Norte. 

Particularmente já conhecia o trabalho da banda desde o começo do ano passado através de amigos de SP  e nesse tempo pude acompanhar como tem sido meteórico o reconhecimento do público e o crescimento do número de fãs da banda, que desde o inicio não perdeu a qualidade e pelo visto permanecerá por muito tempo na história do metal nacional. Depois do Show em Belém, tive plena certeza que logo seria a vez do Amapá receber as meninas e não demorou! Com a banda em terras tucujus, o Blog teve a oportunidade de fazer uma entrevista com a banda, falando sobre cena nacional, mulheres na musica extrema, a carreira e o futuro da Nervosa. Confira!


A Entrevista
AN- Como tem sido a rotina de vocês atualmente e os shows no Norte do País?


Fernanda- Tocamos em várias cidades pelo Nordeste, pelo Norte nos últimos meses, e isso tá sendo bem legal. Cada lugar o público é diferente, é especial de alguma forma, diferente mais é sempre especial. A galera tá recebendo a banda muito bem. Tocamos em Belém, Teresina, Maranhã e Acre. Algumas bandas já tinhamos ouvido como Megahertz, foi muito legal tocar com eles em Teresina.   

Prika- A Disgrace Terror, em Belém. Conhecemos o pessoal do Warpath, viajamos com eles. É sempre legal isso tudo para nós. É experiência nova, desafios novos, galera nova, cena difente. O pessoal acha que a cena no Brasil é a mesma coisa, mas não é! Muda muito. A cena de São Paulo nem se compra com a cena que vimos no show de Belém. Em Tocantins, a galera é insana! Palmas o publico curtido pra caramba, então é gostoso saber a variedade, o jeito de cada headbanger curtir é muito gratificante!

Fernanda- O show que a Pit estreou com a gente foi no Acre, em Rio Branco.

Pit-  Foi demais! Galera pirando, show de bola! Essa coisa que a Fê falou, cada região é diferente e então é legal conhecer o pessoal , quem curte thrash mesmo! Que vai a shows, sai de casa, vai prestigiar, isso é legal!
Prika- Nos vimos o pesssoal no Norte e Nordeste, o público valorizando muito a cena local,  acho que  o show mais doido que a gente fez, questão de público, foi no Norte e Nordeste. E Minas Gerais também! Claro que todo lugar é especial, mas em termo de tipo ir, apoiar, aquilo marcou. Norte e Nordeste, tivemos muitas experiências bacana.

Fernanda- A possibilidade , acessibilidade aqui é mais complicado, tá longe do centro que é São Paulo, as coisas costumam acontecer mais lá, a mídia tá mais lá. População maior e tal. Então aqui o povo dá mais valor. São Paulo é um lugar mais chato de se tocar. O publico é mais acomodado, mais entediado, lá tudo é muito mais fácil. O publico de longe da mais valor. No interior de SP, já  é diferente, pois lá eles são mais fanáticos, dão valor mesmo.



AN- Da formação inicial só resta a Prika e ocorreram muitas mudanças na Nervosa, como a saída recente da Fernanda Terra, houve um desanimo na banda com a saída dela?

Prika- A banda acontecia só em estúdio, antes de a Fernanda Lira entrar, arranjamos uma vocalista, mas ela não tinha condições de tocar porque ela estava aprendendo a tocar e ainda não sabia cantar e por outros motivos não deu certo, até acharmos ela. A banda só foi realmente cair na estrada e acontecer quando a Fernanda Lira entrou.

Fernanda- Depois da saída da Fernanda Terra, não desanimamos. A Fernanda era um pouco diferente da gente, apesar de tá ali tocando, se esforçando e muito bem, ela tinha outras influencias, outras ideias, por isso ela saiu da banda. As ideias não batiam.  Então pra gente trazer a Pit para banda foi melhor, porque as ideias dela batem mais com as nossas, as coisas fluem melhor.
Prika- Acho que o bem estar da banda é muito importante, você está com as ideas em sintonia, não  que  todo mundo tem de pensar igual, claro que não! Mas é ter o mesmo foco, os mesmos objetivos. Abrir mão de algumas coisas em prol de algo maior, isso é muito importante e quando a Fernanda saiu, as ideias estavam um pouco diferente, então com a chegada da Pit, foi um novo gás, não encaramos como uma fase de desanimo. Foi essencial para terminarmos nosso disco, ao invés de desanimo foi ao contrário. Era o gás que faltava. Foi tipo: “agora sim, tá foda!” (risos)
Fernanda-  Tipo isso! A viber dentro da banda tava muito legal, assim! A Pit, veio para completar muito. Era o que faltava.
Pit: Vim pra trazer os protetores solares, as blusas, os guarda-chuva... ( todos riem)


Coletivas de blogueiros

AN- A Nervosa lançou um vinil recentemente e é perceptível a aceitação do público tanto a nível nacional, como de outros países. Vejo pelas redes sociais o público elogiando o trabalho de vocês, como é esse reconhecimento?

Fernanda- É muito bom! Já temos uma tour marcada para a Europa, então a expectativa é muito grande e a ansiedade também, todas com  refluxo, as gastrites estourando (brincando), muita ansiedade.

Prika- Meu intuito sempre foi isso! A coisa mais gostosa que tem é você  compor um som, você ouvir seu filho (disco) tomando forma, mostrar o seu trabalho, não só com a musica, tipo, já fiz trampo de jornalismo pra tentar contribuir com o metal de alguma maneira. Perpetuar a coisa, fazer a minha contribuição. Eu acho que o legal de você ter uma banda e conseguir chegar a essas outras regiões, outros países como você comentou, acho que é a concretização de um objetivo. Meu intuito como banda é mostrar meu trabalho, o maximo possível, deixar minha marca no metal, deixar o meu legado para que nunca morra a coisa. Ver as pessoas da Malásia elogiando, pessoas de Israel, não tem preço que pague!
  
AN- A presença de mulheres no metal nunca foi tão forte, ainda mais se tratando de uma banda só de mulheres, e vocês atualmente tem representado as mulheres que curtem e fazem um som mais extremo. Como é encarar essa situação e tocar com bandas masculinas de peso da cena nacional, existe ou não a união no metal nacional?

Fernanda- Nos Sentimos muito feliz! É tudo que nós sempre quisemos. Batalhamos por isso! O pessoal tem mania de julgar a gente e criar histórias, de falar que pagamos pra tocar. Meu, é só você parar para pensar um pouco.
Prika - Como nós somos mulheres, as pessoas se interessam, tem curiosidade, naturalmente elas vem até nós, por curiosidade! "Elas tem algo de diferente", sabe? Então não pagamos para nada, pelo contrário!
Pit - É algo natural, como nós gostamos muito de thrash metal e desse estilo de vida, de sair na estrada, tocar, conhecer lugares pelo Brasil inteiro como aqui, fica natural e é maravilhoso.

Fernanda-  Eu acho interessante isso de representar a mulherada, hoje em dia tem muitas mulheres em shows, tanto no público, como muitas mulheres tocando. É uma tendência normal, natural. Headbanger é headbanger, metal tá ali, não tem diferença se é mulher ou não. Acho muito interessante que nos nossos shows,  tem muitas mulheres, e muitas vem comentar que se sentem representadas e dizem: "sempre quis ter uma banda, não consegui" e vêem a gente e se sentem realizadas. Isso porque a gente ainda tá construído, mas eu sinto muito orgulho e sempre divulgamos as bandas amigas que tem mulheres e que nos apoiam.


Fernanda - Todas as principais bandas do Brasil, atualmente: Korzus, Krisiun,Claustrofobia, Torture Squad. Todas apioam nosso trampo!
Prika- Sabe por que? Não é nem pelo lance de ser novo e mulheres.

Prika- Os caras admiram nossa correria, sabem do nosso esforço, nós conhecemos todos pessoalmente, então eles vêem que nosso corre é sincero, tanto quanto o deles. Usamos os mesmos meios deles pra chegar nos lugares. Vendo isso, por exemplo, vendo que estamos prosperando eles nos apoiam para caramba, pode até não curtir o som de repente, mas não deixam de apoiar , não é essa utopia. Existe sim, a união no metal nacional, existe união entre as bandas!
Prika- Mulher não leva tão a sério. Pode ter tido bandas que levaram a sério, de querer tocar, estudar o instrumento, mas não largou família, mudou de cidade, não largou faculdade, trampo, não fez realmente tudo pela banda. É o que acontece com as bandas masculinas, eles largam tudo, investem mesmo.
Fernanda- Muitas tem medo. A banda tem potencial, porém não dá o sangue, dá a pele, mas não dá o sangue.
Prika- Não quero de nenhuma forma ser mal interpretada, achando que somos isso ou aquilo. Mas acho que isso é muito legal, tudo isso que a gente tá fazendo, está conseguindo, construindo essa estrada, tudo isso de tocar em bastante lugares. Ser exemplo para as bandas de mulheres, tipo: " É isso ae! Elas estão abrindo mão de tudo, estão conseguindo fazer, então dá pra fazer!" Acho que é uma maneira de expandir a mente da galera para esse sentido.

Com a Camiseta do Blog Amapaense "Eu Sou do Norte"
AN- Recentemente teve uma polêmica sobre o metal nacional, onde muita gente quer ver as bandas e ter acesso ao material, mas não quer pagar. Qual a opinião de vocês sobre isso e a cena em geral?

Prika- Na verdade é uma questão econômica, não e uma questão da cena metal. O Brasil tá passando por dificuldades que se você for parar para pensar, é uma questão econômica do país. Hoje em dia tudo está muito caro! Se você for em um show de qualquer banda de axé da vida, tá caríssimo! A galera paga mais é diferente, o público do metal, o pessoal é mais simples. Então é difícil pagar caro. A internet facilita muito, principalmente nas cidades grandes, onde tem mais acesso as coisas. Por isso que falo que em SP o povo é mais acomodado, o cara fala assim: por que vou sair de casa, com chuva pra assistir um show do Destruction, hoje, se ano que vem os caras voltam?

Fernanda- O que a Prika falou é correto! Porque em SP que é uma cidade cara não é só o lance de comprar o ingresso. Você tem de pensar no estacionamento, tem de pensar no que vai consumir lá de bebida que é caro e tal, mas eu concordo com esse lance que tem pessoas que são os gladiadores do metal na internet, onde diz que apoia, mas na hora do vamos ver, de pagar os 10 reais para ver  10 bandas foda de metal, não cola. Porque tem outras prioridades, é um mito dos dois lados, claro! Economicamente eu mesma quantas vezes já deixe de ir em eventos. Teve o Garulhos Metal Fest em São Paulo e eu não pude ir porque tava sem grana, porém tem esse fator, também, que as pessoas são acomodadas.
Prika-  como tem muitas coisa acontecendo ao mesmo tempo, não tem como você apoiar tudo ao mesmo tempo,  por exemplo. Então o pessoal vai em um show aqui, comprar um cd ali. É o que dá para fazer com o dinheiro delas.

Metralhada - O Show no Fechamento da Semana da Juventude-AP
AN- Sobre o futuro da banda, quando sai o disco e já tem alguma tour marcada para fora do Brasil?

Fernanda- O lançamento tá causado muita ansiedade! Tem uma previsão mais ou menos para esse ano, mas nada certo, provavelmente sai em Novembro ou Dezembro.
Prika- Já está tudo pronto, entregamos para a gravadora todo material e depois disso é só esperar. Por isso que estamos com os nervos atacados ( risos) estamos esperando sair a data de lançamento para poder marcar a tour na América Latina, terminar fazer todos os estados que faltam aqui no Brasil, para depois ir para a Europa e tudo mais. O clipe novo, temos agendado para fazer, e é provável que saia antes do disco.
Fernanda- Temos um contrato assinado para fazer  uma tour na Europa. Mas ainda não tem as datas e cidades marcadas, provavelmente vai ser depois de Abril, quem sabe um festival de verão. Era pra ter acontecido esse ano, porém por um problema de logística, preferimos deixar para depois, porque sai o disco, é um motivo maior, e assim o show fica mais completo.
Prika- Para  irmos lá fora e para lugares novos com um pouco mais de consolidação, um pouco mais de estrutura, voltar pra Macapá com cd na mala (risos).

AN- Pra terminar, qual recado pra galera que tá começando sua banda ou já está batalhando na cena?

Fernanda- Não desistam, dê seu sangue. Todo trabalho duro tem resultados.  Acho que o segredo de você conseguir alcançar seus objetivos é insistir e focar. É isso que nós fizemos.
Prika- Ser Honesto no seu corre e focar. Tudo que você faz com dedicação, mesmo que não dê certo, você  vai se sentir completo por ter tentado. Esse é nosso recado, fazer sempre com honestidade e muito foco.
Pit- Gostar bastante do que faz e não desistir!


Eu, como blogueira e também fã da banda.

Um comentário:

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