sábado, 18 de agosto de 2012

Garotas no Vocal - Pussy Riot!

Essa área é destinada no blog a falar de bandas feministas ou não, com mulheres no vocal, e nada mais justo que a banda PUSSY RIOT, um pouco da banda e seu caso aqui no blog!

Um das polêmicas mundiais do momento e grande fato que considero histórico na luta por liberdade e causas feminista e que está sendo ignorada pelas grandes mídias é o caso da banda PUSSY RIOT, que desde o inicio do ano vem sendo exposto na internet.

Em março de 2012, durante um concerto improvisado e não autorizado na Catedral de Cristo Salvador de Moscou, três mulheres da banda foram presas e acusadas ​​de vandalismo motivado por ódio religioso.


As três integrantes do grupo punk foram punidas por um protesto contra Putin, que durou menos de um minuto, um julgamento que durou  uma quinzena e uma sentença lida em três horas. 

O caso da banda de punk russa Pussy Riot está sendo visto por diplomatas ocidentais e grupos de direitos humanos como o símbolo de muitas coisas equivocadas na Rússia, bem como do perigoso rumo autoritário que o país está tomando desde a volta de Vladimir Putin à Presidência, em maio de 2012, esse é só o estopim do problema na Rússia que agora vem sendo apresentado pela banda ao mundo todo.


* Quem é Pussy Riot?
Pussy Riot é um grupo russo atuante na cena de Moscou, de Street Punk feminista que foi criado com a ideia de " que pudesse tocar nas ruas e praças de Moscou e mobilizar a energia pública contra os bandidos da junta Putinista, enriquecendo a oposição cultural e política com temas que são importantes para nós: gênero e direitos LGBT, problemas da conformidade masculina e a dominância dos machos em todas as áreas do discurso político." 


A banda foi formada setembro do ano passado, depois que Putin anunciou que ia se candidatar novamente à presidência — ele planejava ser presidente novamente e governar a Rússia brutalmente por pelo menos mais 12 anos.

Uma perspetiva assustadora já que pobreza, ataques terroristas, corrupção e perda de direitos civis têm sido as principais características do seu reinado.

Desde sua formação, o Pussy Riot virou manchete com uma série de shows ilegais num esquema de guerrilha, incluindo tocar “Revolt in Russia” na simbólica Praça Vermelha em janeiro deste ano. 

No final desse show elas foram presas por quebrar as rígidas leis russas a respeito de protestos ilegais, mas daquela vez todas as oito colegas de banda foram libertadas.Infelizmente isso não durou muito.

No dia 21 de fevereiro a banda fez um show na Catedral do Cristo Salvador em Moscou e foram presas por acusações do show anterior, logo antes da eleição de 3 de março na qual Putin retornou ao poder. 

Dessa vez nem todas foram liberadas: duas delas, Nadezhda Tolokonnikova, 22 anos, Yekaterina Samutsevich, 29 anos,  continuaram sob custódia e deram início a uma greve de fome, afirmando que só iam  parar quando retornassem para seus filhos. 

Nesse período,  elas podiam ser sentenciadas a sete anos de prisão se fosse consideradas culpadas.

Em 17 de agosto de 2012 as três integrantes foram condenadas por vandalismo motivado por ódio religioso e receberam penas de dois anos de prisão.


*Características e Influências
As performances extemporâneas de provocação política sobre temas como o estatuto das mulheres na Rússia e, mais recentemente, contra a campanha do primeiro-ministro Vladimir Putin para a presidência da Rússia.

As suas influências musicais são as bandas clássicas de punk oi! do começo dos anos 80; The Angelic Upstarts, Cockney Rejects, Era, The 4-Skins, Sham 69 e outras.

Kathleen Hanna(Bikini Kill)

" Todas essas bandas tem uma energia musical e social incrível, seu som rompeu a atmosfera de sua década, espalhando confusão por toda parte. A vibração deles realmente capta a essência do punk, que é o protesto agressivo." afirmam

Muito do crédito do que é hoje o PUSSY RIOT, vai para o Bikini Kill e as bandas da cena Riot Grrrl (bandas feministas da década de 90) — "De certa maneira nós desenvolvemos o que elas fizeram nos anos 90, embora o contexto seja absolutamente diferente, e com uma postura exageradamente política, o que leva todos os nossos shows a serem ilegais — nunca fizemos um show num clube ou em qualquer espaço especial para música." a firma a PUSSY RIOT Garadzha.


O nome da banda é uma junção em homenagem ao disco "Pussy Whipped", do Bikini Kill e 'Riot", lógico, vindo do Riot Grrrl.

As principais influências feministas são Simone de Beauvoir com "O Segundo Sexo", Dvorkin, Pankhurst com suas corajosas ações sufragistas, Firestone com suas teorias de reprodução loucas, Millett, o pensamento nômade de Braidotti e Judith Butler.

The Slits
Suas roupas usuais são vestidos de verão em cores vivas, com seus rostos sempre cobertos por balaclavas. O grupo exibe esse visual tanto em shows quando ao ser entrevistado.

As artistas usam pseudônimos ao identificarem-se em entrevistas. O grupo é composto de aproximadamente 10 artistas, além de 15 assistentes técnicos encarregados de filmar e editar seus vídeos, os quais são difundidos via Internet.

"Nosso objetivo é nos afastar das personalidades em direção aos símbolos de protesto puro."



*O Protesto na Catedral
Em 21 de fevereiro de 2012, como parte de um protesto contra as eleições presidenciais russas de 2012, que culminaram com a reeleição de Vladimir Putin, três mulheres do grupo adentraram a Catedral de Cristo Salvador de Moscou, curvaram-se diante do altar e começaram a cantar.

Confira abaixo a tradução livre da letra da canção :

'Oração Punk' (Tradução livre)

“Mãe de Deus, nos livre de Putin!
Mãe de Deus, virgem, nos livre de Putin! Nos livre de Putin! Nos livre de Putin!
Veste negra, ombreiras douradas!

As crianças da paróquia rastejam para fazer reverência
O fantasma da liberdade está no céu
Os homossexuais se vão para a Sibéria
O líder da KGB é sua mais alta Santidade
Os manifestantes terminam na prisão
Para não ofender os santos
As mulheres devem parir e amar

Lixo de Deus, lixo, lixo! Lixo de Deus, lixo, lixo!
Mãe de Deus, virgem, torne-se feminista, torne-se feminista, torne-se feminista!

A igreja reverencia líderes podres, procissão de limusines pretas
Na escola, vem um pregador: vá à aula, traga dinheiro!
O patriarca acredita em Putin
Melhor seria acreditar em Deus!
O cinturão da virgem sagrada não impede as manifestações das massas
A virgem Maria está conosco nos protestos!

Mãe de Deus, virgem, nos livre de Putin! Nos livre de Putin! Nos livre de Putin!”


Menos de um minuto depois, elas foram conduzidas por guardas para fora da Catedral.A filmagem do protesto foi usada posteriormente para criar um videoclipe para a música. Na música cantada na Catedral, o grupo pede à Virgem Maria, em russo para mandar Putin embora. 

Postado no mural da banda Discharge, em protesto contra a sentença

A musica também descreve o patriarca russo, Cirilo I de Moscou, como alguém que acredita em Putin ao invés de acreditar em Deus.Esta referência da música remete ao fato de Cirilo I ter demonstrado abertamente apoio a Putin durante as eleições.

A condenação das três jovens do grupo Pussy Riot por causa canção “Oração Punk” só mostra a dificuldade do governo russo em aceitar críticas. A música é recheada de referências à intolerância das autoridades do país: a KGB (Comitê de Segurança do Estado, antigo serviço secreto do país) é, ironicamente, apontada como uma santidade, as manifestações são reprimidas com prisão e os homossexuais são enviados à Sibéria. Como um mantra, a música repete “Mãe de Deus, virgem, nos livre de Putin! Nos livre de Putin! Nos livre de Putin!”.



*Prisão e Condenação
Em 3 de março de 2012, Maria Alyokhina e Nadezhda Tolokonnikova, duas supostas integrantes do Pussy Riot, foram presas pelas autoridades russas sob a acusação de vandalismo.

A princípio, ambas negaram integrar o grupo, e iniciaram uma greve de fome por terem sido detidas e separadas de seus filhos até o início do julgamento, em Abril.

Em 16 de março outra mulher, Ekaterina Samoutsevitch, que havia sido antes interrogada como testemunha do caso, foi igualmente presa e indiciada.

Em 4 de junho foram apresentadas acusações formais contra o grupo que compunham um processo de 2800 páginas.

 Em 4 de julho as réus foram notificadas que teriam o prazo de até 9 de julho para preparar suas defesas.

Como resposta, as três reiniciaram a greve de fome, alegando que dois dias úteis era um prazo insuficiente para a elaboração de suas defesas.
 Em 21 de julho o tribunal extendeu a prisão preventiva em mais seis meses.

Em 17 de agosto de 2012 as três integrantes foram condenadas por vandalismo motivado por ódio religioso e receberam penas de dois anos de prisão.


Maria Alyokhina, 24, Nadezhda Tolokonnikova, 22, e Yekaterina Samutsevich, 29 - podem ser jovens, tolas e insensíveis aos sentimentos religiosos dos demais, mas grupos como a Anistia Internacional afirmam que de forma alguma isso justifica que todo o poder do aparato oficial russo seja usado contra elas.

Em vez de receber uma multa por ofender a ordem pública, elas foram detidas ao longo de cinco meses antes do julgamento, no qual foram condenadas por ofensa criminal motivada por ódio religioso.

Passarão dois anos detidas em uma rígida colônia penal russa.


Advogados do grupo declararam que as circunstâncias do caso reavivaram a tradição da era soviética do julgamento farsa.


*Estado e Igreja juntos
A banda Pussy Riot vinha protestando contra supostos laços entre Putin e a liderança da Igreja Ortodoxa Russa, considerando essa relação constitucionalmente questionável (a Constituição russa diz que o país é secular e que nenhuma religião pode ser abraçada pelo Estado).

Agora, com a condenação das três, grupos de direitos humanos afirmam que a reação estatal ao protesto das três mostra que elas tinham razão em se queixar.

As autoridades da igreja foram alguns dos maiores entusiastas do julgamento da Pussy Riot.

Por alguns momentos, as sessões judiciais pareceram quase uma corte religiosa, com as testemunhas sendo questionadas se eram reais praticantes da fé ortodoxa. Além se gritos como "vergonha" durante o julgamento.

Também foram levantadas questões quanto a se o julgamento foi justo. Os advogados de defesa às vezes pareciam desesperados diante do que chamavam de mostras de parcialidade da juíza Marina Syrova.

Os advogados poucas vezes puderam questionar testemunhas da acusação, e muitas de suas próprias testemunhas foram vetadas.

"O crime é grave e a promotoria considera que sua correção só é possível em condições de isolamento da sociedade. A punição necessária deve ser uma verdadeira privação de sua liberdade", declarou o promotor durante o julgamento.


 A linha entre o Estado e a Igreja é tênue, e, no sistema legal, promotores e juízes parecem não ter qualquer independência. O governo russo tem sido alvo de fortes críticas internacionais, mas a questão é: o quanto isso afetará Putin?

Em primeiro lugar, muitos russos ficaram realmente chocados com o protesto da Pussy Riot na catedral, e Putin espera conquistar o apoio desse grupo mais conservador.

Segundo, o presidente parece acreditar que a maneira de lidar com a dissidência russa é pressionar os novos opositores, em vez de tratar com eles. Em terceiro lugar, a condenação internacional pode ajudá-lo a ganhar a confiança de partes da sociedade russa que ainda são profundamente desconfiadas do Ocidente.


*Protesto e manisfetações pelo mundo


A Igreja Católica Ortodoxa Russa pediu às autoridades que demonstrassem misericórdia às condenadas "na esperança de que estas evitassem a repetição de ações de blasfêmia no futuro"; ao mesmo tempo, a Igreja declarou não questionar a legitimidade da decisão da corte.

Artistas e ativistas dentro e fora da Rússia consideraram excessiva a pena contra a banda punk Pussy Riot.

Artistas como: Björk, Madonna, Dead kennedys, Ratos de Porão, Discharge, Franz Ferdinand, Krist Novoselic, apoiaram a causa das russas.

A condenação da banda causou protestos no mundo inteiro e duras críticas à justiça russa e ao Kremlin.

A encarregada da União Europeia (UE) para assuntos de política externa, Catherine Ashton, classificou a sentença como "excessiva" e como uma nova tentativa de intimidar a oposição.


Protesto em Londres
Ela se disse "profundamente desapontada" e afirmou que a decisão coloca em dúvida a capacidade da Rússia de respeitar normas internacionais para processos judiciais independentes.

"Este caso se junta ao recente aumento acentuado de intimidações politicamente motivadas e da repressão de ativistas da oposição na Rússia", ressaltou Ashton, acrescentando que tal tendência preocupa cada vez mais a UE.


A chanceler federal alemã, Angela Merkel, afirmou que a sentença era "desproporcionalmente dura" e que não está em conformidade com os valores europeus de democracia e do Estado de Direito aos quais a própria Rússia se comprometeu a respeitar como membro do Conselho da Europa. "Uma sociedade civil vibrante e cidadãos politicamente ativos são uma condição necessária e não uma ameaça para a modernização da Rússia", ressaltou.

O presidente dos EUA, Barack Obama, se mostrou alarmado. "Os Estados Unidos estão decepcionados com a sentença, incluindo as penas desproporcionais que foram impostas", disse um porta-voz da Casa Branca. O representante acrescentou que o governo americano tem "preocupações sérias sobre a maneira como estas jovens têm sido tratadas pelo sistema judicial russo".


Mikhail Fedotov, diretor do Conselho Presidencial para os Direitos Humanos, espera que a pena seja abrandada. Em entrevista à agência RIA Novosti, ele afirmou considerar uma absolvição mais adequada ao caso.

O famoso blogueiro e ativista da oposição Alexei Nawalny, presente no tribunal durante o julgamento, descreveu a sentença como "acerto de contas político e destruição ostensiva da lei".

FEMEN no Brasil
O ex-campeão mundial de xadrez Garry Kasparov pode ser condenado a até cinco anos de prisão, após ter sido detido em protesto contra a sentença à banda Pussy Riot.

A Promotoria russa acusa Kasparov de morder um policial, conforme informações da agência de notícias Interfax. Kasparov, crítico do líder Putin, negou a acusação.

Nesta sexta-feira passada, a polícia prendeu temporariamente cerca de 100 pessoas que participavam de manifestações nas proximidades do tribunal onde as artistas foram julgadas.

A sentença contra a banda punk também provocou protestos fora da Rússia.


Em Nova York, seis manifestantes foram presos por bloquear o trânsito e usar máscaras ato proibido pela lei local.

Na semana passada, durante um show em Moscou, a cantora Madonna afirmou que reza pela liberdade das integrantes do Pussy Riot e pediu a liberdade das integrantes da banda e mais liberdade sexual. 

Para a estrela pop, o protesto foi um ato de coragem. “Sei que todos nesse auditório, todos os meus fãs, acreditam quem elas merecem ser libertadas”, afirmou Madonna, que depois tirou a blusa e mostrou o nome do grupo escrito em suas costas. Madonna chegou a ser xingada por uma altoridade russa.

No dia seguinte, o vice-primeiro-ministro para a Defesa, Dmitri Rogozin, xingou a cantora , escrevendo no Twitter: “Conforme fica velha, toda ex-p... tenta dar lição de moral nos outros, especialmente durante viagens ao exterior.”
.

No Brasil, integrantes da organização feminista ucraniana "Femen" tiraram a roupa em São Paulo nesta quarta-feira para exigir a libertação das integrantes da banda Pussy Riot.

As ativistas do Femen, são famosas no mundo todo pelas ações provocativas em defesa dos direitos das mulheres e contra seus adversários políticos, protestaram em frente ao Consulado da Rússia em São Paulo, localizado no bairro do Morumbi, zona sul da cidade.

Vestindo apenas calcinhas, as três integrantes do Femen foram detidas por jogar tinta na fachada do consulado.

 Aproveitando o momento, o grupo lançou uma música nova chamada "Putin Lights The Fires", que você pode ouvir  aqui! Mostrando que não vão parar suas atividades! Como na camisa de uma das integrantes do Pussy Riot durante a condenação " Não passarão!"



Fontes:
 noticias.terra.com.br
http://ultimosegundo.ig.com.br/
http://pt.wikipedia.org/

4 comentários:

  1. Josi, que belo dossiê que você montou. Vou divulgá-lo pela rede. Lamentável que em pleno terceiro milênio ainda aconteça uma série de atos (governamentais ou não) contra a liberdade de expressão.

    Abs!

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  2. Eu amo essas jovens porque são corajosas e artistas verdadeiras. Em Macapá, os jovens deveriam ser corajosos suficientes para protestarem contra a república, se quebrassem tudo eu estaria no meio, tiraria a roupa e defecaria na Assembléia Legislativa. Porque chega de ser educado, eu também sou anarquista como você amiga. Adorei a sua matéria, você está cada vez melhor.

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  3. Hei, Josi, a divulgação de seu dossiê pela rede fez com que ele virasse matéria num jornal aqui do Triângulo Mineiro. Olha aí: http://www.gazetadotriangulo.com.br/novo/index.php?option=com_content&view=category&layout=blog&id=43&Itemid=295

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