quinta-feira, 31 de maio de 2012

Procurando Deus para Mata-lo

 Abro espaço no blog, para uma nova série, que é um conto de Govéia Rodrigues, meu colega acadêmico de filosofia da Universidade do Estado doAmapá, ao longo do tempo esse conto vai sendo tecido aqui no blog em parte, vamos ver até onde vai e seu desemrolar, o titulo do Conto é "Procurando Deus para Mata-lo", lembrando que as opiniões contidas no texto são de inteira responsabilidade do autor.

Parte I

O PADRE E A SUGESTÃO DE DEUS

Padre Paulo Di`Coop entrava na igreja exorcizando os demônios, eram apenas inocentes anjos desvirtuados pelos encantos das brincadeiras das ruas _Não, não entendiam nada de Deus _ o que entendiam de rituais, roupas, estolas ou crucifixos? Queriam era entrar na sacristia e beber do “sangue” e comer do pão, pois “nem só de oração vive o homem” ou na pior das hipóteses: ter o contato com o sujeito de Deus ou o sujeito do diabo que tanto pregavam nas aulas de catecismo; mas, as imagens dos santos bíblicos vigiavam e aterrorizavam com um olhar que inseria um silêncio dentro da alma. Aquela sensação de estar sendo observado perdurou por longos anos. Algo amenizava os temores dominicais; a postura sempre alegre daquele pároco, sua mansidão e amor que possuía por todos do bairro.

__ Fiiiiuuuuu! Assovio ou o canto dos pássaros do Poço do Mato? __ meninos guerreando? __ anjos caídos em forma humana!

Conto isso porque decisivamente: o “sujeito” me confundia. A possibilidade da existência ou não de Deus é em grande parte advinda de uma valoração aterradora que impunha um Ser enquanto sujeito: severo, castigador e que deveria ser adorado todas as noites antes de dormir com uma infinidade de orações; no entanto, quando fechava os olhos algo de desprezível tomava conta de meus sonhos. Não sabia, fazia parte (aquele mal) das várias facetas do sujeito Deus. Essa ilusão durava a semana e nas missas dominicais incorporava novamente a ira nos olhos enigmático das imagens santas que ocupavam cada canto da igreja e de minha fantasiosa demência.

Não me atrevia a lembrar dos olhos de Maria, Benedito, Jorge. Quase não respirava, não desprendendo meu pensamento do dragão; eu era o dragão adormecido naquele mundo de trevas. Minha mente se expandia, então tomava conta espacial de toda existência; uma simples agulha ao confuso sentimento de culpa. 
Porém, minha alma sofria no inferno odioso da culpa_ nada fiz!_ alucinações de criança. No santuário não avançava além das escadarias, olhava displicente, belas mulheres desfilando com seus vestidos cobertos de cera. Um Deus que regrava as atitudes e colhia o dinheiro do pão. Domingo a tarde o café era pequeno. Escondia-se a mão para curar o outro. Mamãe era feiticeira. Sabia mais reza que o vigário.
Que tenham asas e não te peguem...
E tenham lanças e não te firam...
As correntes não te amarrem...
`

4 comentários:

  1. Parabéns ao Govéia Rodrigues pelo conto, escrever sobre a imagem imagética de Deus não é para qualquer um e de início Goivéia fê-lo bem. Esta assombroso criação do Cristianismo Europeu é sem duvida produto de muita reflexão do homem afinal é sempre um desafio configurar um mundo para dominio próprio. A igreja cristã tem feito isso com magestade.
    Parabéns pela série amiga blogueira! estarei esperando os próximos!

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  2. Oi Josi,

    Tudo bem? Estou com saudades dos seus escritos.

    Gostei do texto do seu amigo, principalmente da descrição da culpa.

    Bom final de semana!

    Beijos.

    Lu

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  3. ...
    A fé nasce da dúvida. Senão é vicio.
    Em que acreditar? O tempo aliado das diversas necessidades/interesses pode ser a resposta.

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  4. Humm...fiquei instigado em saber o desenrolar do conto. Muito bacana!

    Abraços,
    Munhoz.

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