quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Revolucionários Anarquistas: Emma Goldman

Começo essa longa série de postagens sobre os grandes anarquistas, com uma mulher, que é com toda certeza uma das mais influentes no movimento anarquista feminista, devido seu intenso ativismo, além de seus escritos políticos e conferências que seviu de fonte de conhecimento aos que adotam essa ideologia.

Então, quem não conhece Emma Goldman, vou falar um pouquinho, comparado a sua longa e extensa história.

Emma Goldman foi uma anarquista e feminista que teve um papel fundamental no desenvolvimento do anarquismo nos EUA durante o seculo passado.

Nasceu no Império Russo,masainda jovem, emigrou para Nova Iorque nos Estados Unidos, onde conheceu e passou a fazer parte do crescente movimento anarquista naquele lugar.

Atraída pelo anarquismo, tornou-se uma renomada ensaísta de filosofia anarquista e escritora, escrevendo artigos anticapitalistas bem como sobre a emancipação da mulher, problemas sociais e a luta sindical.

 Goldman durante sua vida ativa nas causas anarquistas, foi diversas vezes presa, por "incentivar motins" e ilegalmente distribuir informações sobre o contraceptivo.

Em 1906, Goldman fundou o jornal anarquista Mother Earth (Mãe Terra).

Em 1917, Goldman foi sentenciada a dois anos na cadeia por "induzir pessoas a não se alistarem" no serviço militar obrigatório, que havia sido recentemente instituído nos Estados Unidos. 

Depois de ser solta da prisão, foram novamente presa,  junto com centenas de outros progressistas, sendo deportados para a Rússia. 

Inicialmente simpatizou com a Revolução Bolchevique daquele país, mas depois Goldman, expressou sua oposição ao uso de violência dos sovietes e à repressão das vozes independentes. 

 Com o início da Guerra Civil Espanhola, em 1936, Emma, já com mais de 60 anos, viajou até a Espanha para apoiar a Revolução Anarquista.

Durante sua vida,  foi celebrada por seus admiradores, como uma livre pensadora e "mulher rebelde".

Seus escritos e conferências abrangeram uma variedade de assuntos, incluindo o sistema prisional, ateísmo, liberdade de expressão, militarismo, capitalismo  casamento e emancipação das mulheres.

Após décadas de obscuridade, nos anos 1970 sua vida e obra de Emma Goldman voltou a ser reconhecida na medida em que jovens acadêmicas, feministas e anarquistas passaram a se interessar por ela.

Este interesse implicou uma nova onda de divulgação de seu legado, com publicações de seus artigos e livros sendo relançados, e citações e imagens suas sendo estampadas em camisetas e cartazes.

É creditada a ela diversos ditos marcantes do anarquismo entre estes a famosa frase que diz : "Se não posso dançar, não é minha revolução"  capaz de definir de maneira simples liberdade, na ideia anarquista.

Emma Goldman durante toda sua trajetória, teve o Anarquismo, não só como um ideal político, mas também como filosofia de vida.

Ela escreveu e falou regularmente a respeito do anarquismo por toda sua vida.

No ensaio que empresta o título ao seu livro "Anarquismo e Outros Ensaios", ela escreveu:

    O anarquismo, portanto, realmente se ergue pela libertação da mente humana do domínio da religião, a libertação do corpo humano do domínio da propriedade,  libertação dos grilhões e refreamentos dos governos.

O anarquismo está em busca de uma ordem social baseada no livre agrupamento de indivíduos com o propósito de produzir riqueza social real, uma ordem que irá garantir que todos os seres humanos tenham livre acesso à terra e à plena satisfação das necessidades da vida, de acordo com os desejos, gostos e inclinações individuais.
    — em Anarquismo, p. 62.

O anarquismo de Goldman era intensamente pessoal.

Ela acreditava que havia uma necessidade de que os pensadores anarquistas vivessem conforme aquilo que acreditavam, demonstrando suas convicções através de cada ação e palavra. "Não me importa se a teoria de um homem para o amanhã é correta," ela escreveu certa vez. "Me importa se seu espírito de hoje é correto."

" O anarquismo e a livre associação eram em sua lógica, respostas para os confins do controle governamental e capitalista.

Uma ateia comprometida, Emma Goldman entendia a religião como outro instrumento de controle e dominação da sociedade.

" Conscientemente ou inconscientemente, muitos teístas vem em deuses e demônios, paraíso e inferno, recompensa e punição, um chicote para conduzir as pessoas à obediência, à mansidão e ao contentamento… a filosofia do ateísmo expressa a expansão e desenvolvimento da mente humana. A filosofia do teísmo, se é que podemos chamá-la de filosofia, é estática e fixa."

Goldman fez muitos inimigos entre as comunidades religiosa ao atacar suas atitudes moralistas e esforços para controlar o comportamento humano.

Ela culpava o Cristianismo pela "perpetuação de uma sociedade escravista", argumentando que dirigia as ações individuais na Terra e oferecia a pessoas pobres a falsa promessa de um futuro de plenitude no paraíso.
 


2 comentários:

  1. Oi querida,

    Mais uma vez um texto inteligente e show de bola em conhecimento da causa. Já te falei que você tem que pensar em um livro, pois tem muitas informações.

    Adorei a Emma e ela já estará no meu post do dia das mulheres!

    Beijos e um lindo final de semana!

    Lu

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  2. foi por acaso que acessei ...mas caramba que conhecimento de causa incrível...saiba que fiquei sua fã e continuarei a ler suas postagens... PARABÉNS!!!

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